Sem beijo não há encontro
Mais que o sexo, o beijo revela se existe ali um desejo de verdade, porque ele é intimidade pura, fronteira e fusão ao mesmo tempo.
Freud nos ensinou que a boca é a primeira zona erógena, lugar inaugural de prazer e de falta.
Talvez por isso o beijo diga tanto: ele é o gesto em que se decide se há espaço para o amor.
O sexo pode ser comércio, performance, descarga.
O beijo, não. O beijo exige presença, reciprocidade, risco de se perder no outro. Ele não se compra, não se finge.
Um relacionamento floresce quando o beijo ainda é procurado com a urgência de quem saiu da clausura para respirar.
E começa a morrer no silêncio dos lábios que já não se buscam.
A falência do beijo antecipa a falência do amor.
E a literatura, de Drummond a Barthes os lembra: não é o corpo que primeiro trai, é o desejo.
O beijo é sempre metáfora disso.
